Digaaí Sua História
Carlos A. F. da Silva
Carlos A. F. da Silva, Quincy, MA, Estados Unidos
CARLOS DA SILVA - QUINCY MA
Sua história

Eu cresci numa cidadezinha muito pequena, Nacip Raydan, com uma população de cerca de cinco mil pessoas. Lá tinha somente uns poucos carros, nós não tínhamos carros na minha família e a gente dependia do transporte público.

Em 1987 ou 1988 eu estava quase completando o ensino médio (High School) e uns amigos meus que vieram viver nos Estados Unidos me contaram como a vida era aqui nos Estados Unidos, como que era um país maravilhoso. Um dia visitando o meu irmão no Rio de Janeiro, nós passamos pelo consulado americano e ele me mostrou uma fila imensa de pessoas esperando para tirar o visto. Eu disse pra ele ''eu vou voltar aqui e aplicar para um visto''. Ele disse, ''você não vai voltar aqui pra tirar visto'', ''as pessoas do meu estado não vem aqui para tirar vistos...'' e eu disse, ''você vai ver''.
 
Quando eu cheguei em Boston, em 1988, estava nevando e tinha neve até na altura dos meus joelhos! Eu vesti uma jaqueta que o meu pai tinha me dado, mas no Brasil você não usa jaqueta pesada, são bem levinhas mas você pensa que elas vão servir para o frio daqui... e eu me perguntei, o que eu vou fazer aqui? Não tinha folhas nas árvores, neve cobrindo o chão e eu fiquei amendrontado. Quando cheguei no aeroporto tive que andar uns três blocos porque o carro das pessoas que vieram me buscar estava parado longe e eu pensei comigo mesmo: ''eu não penso que eu vou durar por aqui. Eu vou voltar para o Brasil logo logo.''
 
Nos primeiros sete meses eu tive três empregos. Eu tinha folga nos sábados pela manhã e eu ia na lavanderia para lavar as minha roupas e isso era o que eu tinha de folga. Não tinha tempo pra nada. Eu fiz isso e juntei algum dinheiro para pagar meu pai que financiou os custos da minha viagem.
 
Lembro de eu trabalhando como guarda de segurança num prédio em Boston. Eu não falava uma palavra de inglês e algumas das sercretárias paravam, me cumprimentavam e tentavam me ensinar algumas palavras em inglês... eu tinha também o walk-talkie. Eu ouvia meu supervisor falando com um empregado de manutenção e eu repetia o que ouvia. Foi assim que eu começei a aprender a língua.
 
Nessa época você não via brasileiros. Quando você encontrava um no trem era como se tivesse encontrado um irmão. Você ia até eles, dizia oi, abraçava-os... hoje tem tantos brasileiros que você não quer se encontrar com eles no trem.
 
Eu fundei uma ONG, a Assistência Total Brasileira, para ajudar a comunidade brasileira a assimilar a cultura americana e também ajudar os empregadores americanos com traduções e outros serviços.
 
Hoje eu falo inglês,  me tornei cidadão porque me foram dadas as ferramentas necessárias e com isso eu pude contribuir de volta para a sociedade como um todo. Se as pessoas tiverem acesso as ferramentas que eles necessitam elas também fariam o mesmo, eu acredito nisso! 
 
Carlos da Silva - Ativista
Entrevista em Inglês concedida a Jordana Feldman (http://brazilinmass.net)

Helping people runs in Carlos A.F. Da Silva’s blood.  Hailing from the small town of Nacip Raydan, Da Silva’s parents were both public servants who unofficially became beacons for the town’s tiny population.  “My mother was the treasurer of the church and a public school teacher, and my father was a police officer, so everyone in the city came to us for everything,” he recalls.

After high school, Carlos was visiting his brother in Rio de Janeiro, when he noticed a huge lineup outside the U.S. Consulate.  Learning the lineup was for American visas, Carlos decided he was going to get one and go to the U.S.  “People from our hometown don’t get visas,” his brother laughed.  “Watch me,” Carlos replied.  And he got one.  The year was 1988, and it was the beginning of what would become the big Brazilian population boom in Massachusetts.

Carlos worked 3 jobs for almost a year, before he eventually settled into a union managerial job.  Deciding he missed helping others, he worked to set up a non-profit community organization called Assistencia Total Brasileira.  Like his parents before him, Carlos’ work involves orienting Brazilians who have any troubles or concerns in their new country, whether it’s a legal issue, discrimination at work, or simply needing someone to speak on their behalf if their English isn’t good.

Now the father of two young boys, Da Silva admits he doesn’t earn much for his work, but wouldn’t have it any other way.  “It’s something that’s natural, and I love doing it,” he says, “whether it’s helping an American, or a Brazilian, or a Chinese person, it doesn’t matter as long as I’m able to help someone achieve what they want to achieve.”

 
Parte do acervo do projeto Pontos de Memória no exterior Digaaí sua História (http://digaai.com)
Obra sob licença Creative Commons

 

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